por Leonardo Marson
São Paulo, 12 de maio de 2012 - “Imaginem os jornais na Itália amanhã: poderiam ter como manchete as palavras glória, vitória, mas não... Estará escrito vergonha!” Assim definiu Cléber Machado o final do Grande Prêmio da Áustria de Formula 1, disputado em 12 de maio de 2002, há exatos 10 anos. Rubens Barrichello foi o mais rápido em todos os treinos e liderava a corrida com tranquilidade, seguido por Michael Schumacher, então líder do Campeonato e vencedor de cinco das seis etapas do mundial até então.
Quando restavam três voltas para o final, com a diferença em pouco mais de três segundos em favor de Barrichello, Michael começou a rodar um segundo mais rápido que o brasileiro. O final da história é conhecido por todos... É bom lembrar que um ano antes, no mesmo A1-Ring, Barrichello havia cedido um terceiro lugar para Schumacher.
Revirando a internet encontramos coisas interessantes ditas por Barrichello (que sem dúvidas tem um currículo respeitável, como podemos acompanhar no trabalho “Lendas do Automobilismo”, feito por este que vos escreve e pelos jornalistas Alan Macedo e Fábio Gonçalves). Perguntado pelo jornalista Flávio Gomes sobre a manobra feita por David Coulthard, que cedeu a primeira posição para Mika Hakkinen vencer o GP da Austrália de 1998, veja o que Barrichello respondeu:
“Ridículo. Quem deveria ganhar era o Coulthard. Houve um erro de comunicação e o Mika entrou nos boxes. Azar dele. Não existe acordo como esse. Vale para a primeira curva. Depois seja o que Deus quiser. Esse tipo de coisa faz do esporte uma coisa feia.”
Em entrevista a revista Playboy deste mês, Barrichello declarou:
“Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar.”
Algumas perguntas desde então ficam no ar: porque Barrichello acatou a ordem da Ferrari? Que ameaça foi essa? Porque renovar contrato com um time que o ameaça de tal forma? Porque fazer algo que vai contra as suas convicções?
Rubens prometeu escrever um livro relatando entre outras coisas, o ocorrido em Zeltweg, mas desistiu da ideia, pensando na possibilidade dos filhos um dia se tornarem pilotos. Fato é que Rubinho venceria aquela prova, mas lamentavelmente cedeu a ordem, também lamentável, da Ferrari. No mesmo ano, Barrichello venceria o GP dos Estados Unidos da mesma forma que Schumacher venceu na Áustria. A Ferrari venceria os mundiais de pilotos e construtores. Barrichello seria o vice-campeão.
Este caso escancarou com as atitudes das equipes. Só para ficar nos dois últimos casos (sempre com pilotos brasileiros e envolvendo Fernando Alonso), tem a batida proposital de Nelsinho Piquet em Cingapura e a ainda muito comentada ultrapassagem de Alonso em Felipe Massa após a mensagem “Felipe, Fernando is faster than you”.
Por mais que o jogo de equipe seja permitido pelo regulamento, só nos resta, para o bem do esporte (bonito isso, não?) torcer para que atitudes como essas nunca mais se repitam.
Foto: Ferrari

0 comentários:
Postar um comentário