por Leonardo Marson
30 de julho de 2012 – Poucos vão se lembrar disso (ainda mais em tempos de Olimpíadas), mas nesta segunda-feira (30), a primeira vitória de Rubens Barrichello na Fórmula 1 completa 12 anos. O brasileiro, que atualmente participa do campeonato da Fórmula Indy, disputava a sua temporada de estreia na Ferrari. Em sua 124ª corrida na categoria, Barrichello contou com uma prova tumultuada (com direito a invasão de pista) e uma tática arriscada para vencer o Grande Prêmio da Alemanha, disputado em Hockenheim, ainda no circuito com as grandes retas que cruzavam a Floresta Negra.
Muito criticado pelo público e também pela mídia especializada por não conseguir uma vitória com um carro que lhe dava condições para isso, Barrichello não teve uma boa classificação no sábado, conseguindo apenas a 18ª colocação no grid. No domingo, a corrida teve logo na largada o líder do mundial e companheiro de Ferrari Michael Schumacher acertando a Benneton de Giancarlo Fisichella, abandonando a prova.
Com um carro mais rápido e leve, para apostar numa tática de duas paradas, Rubens escalou o pelotão, deixando a 18ª posição e subindo para terceiro. O brasileiro então foi para os boxes, e contou com um safety car, provocado por um ex-funcionário da Mercedes-Benz, que teve a “maravilhosa” ideia de invadir a pista para protestar. Com a bandeira amarela inusitada, os pilotos foram para os boxes fazer a troca de pneus e o reabastecimento. Barrichello aproveitou para fazer um segundo pit stop, e, assim como os concorrentes, não precisou mais ir aos boxes por conta de combustível.
Após a relargada, o brasileiro não conseguia acompanhar o ritmo dos líderes Mika Hakkinen (McLaren) e Jarno Trulli (Jordan). Mas a chuva chegou bastante forte, principalmente no setor do estádio e na reta dos boxes, e ajudou o ferrarista. Enquanto a maioria dos concorrentes foi aos boxes – incluindo Hakkinen e Trulli – David Coulthard (pole position da prova), Heinz-Harald Frentzen e Ricardo Zonta não conseguiram se manter na pista.
Barrichello por sua vez, numa atitude corajosa, optou por seguir na pista com pneus de pista seca. A tática, aliada a ótima pilotagem naquele dia, valeu a primeira vitória de Rubens na principal categoria do automobilismo mundial, além da quebra de um jejum de quase sete anos sem uma vitória brasileira na Fórmula 1: a última havia acontecido no Grande Prêmio da Austrália de 1993, quando Ayrton Senna venceu no circuito de Adelaide.
Aquela vitória calou os críticos do brasileiro (como é possível ver no especial “Lendas do Automobilismo”, feito pelos colegas Alan Macedo, Fábio Gonçalves e este que vos escreve), pelo menos até o Grande Prêmio da Áustria de 2002, quando Barrichello recebeu a ordem da Ferrari para deixar Schumacher vencer (para desespero de Cléber Machado, e também para este post, analisando o caso que completou dez anos recentemente).
Depois daquele 30 de julho de 2000, Barrichello venceria outras dez vezes na Fórmula 1, a última delas em Monza, no ano de 2009. Agora na Indy, Rubens tentará a sua primeira vitória na categoria americana neste final de semana, em Mid-Ohio.
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