por Leonardo Marson
26 de outubro de 2012 – (CBA,
Yahoo e Futebol Total, vocês vão me matar de trabalho...) Recebi em meu
e-mail há alguns dias uma mensagem do Jayme Brandão, assessor de imprensa do
Esporte Clube Bahia, um release informando que o tricolor baiano aparecia numa
lista entre os 100 times de futebol com maior média de público no mundo.
Logo, parei para ver a tal lista informada pelo Jayme, feita
pelo pessoal da Pluri Consultoria, e, digamos, me surpreendi com o que vi. O
melhor clube brasileiro na lista, que leva em consideração os jogos nos
campeonatos nacionais em 2011, é (pasmem) o Santa Cruz do Recife. O tricolor
pernambucano aparece na 39ª colocação, com uma média de 36916 torcedores por
jogo. O clube é o único da lista que não disputa nenhuma das duas principais
divisões do campeonato nacional (estava na série D no ano passado), e o segundo
melhor entre aqueles que não estão na primeira divisão (o líder é o Eintracht
Frankfurt, da Alemanha, com uma média de 37335 torcedores por jogo). As outras
duas equipes da lista são o Corinthians (65º) e o Bahia (100º).
Mas a surpresa maior vem quando paramos para analisar a
listagem. Tudo bem os campeonatos europeus terem médias de público maiores que
as do Brasileirão (só para constar, o Borussia Dortmund tem a maior média de
público do mundo, com 80552 torcedores por partida). Mas países com torneios
mais fracos, ou ainda onde o futebol não é o primeiro esporte, aparecem na
frente do Santa Cruz, o primeiro brasileiro da lista. Este é o caso do América
e Tigres do México (9º e 29º colocados, respectivamente), o Celtic e o Rangers,
da Escócia (13º e 19º, respectivamente), e o Seattle Sounders, dos Estados
Unidos (33º).
Se pegarmos o número de times de cada país citado na lista,
a situação piora. O Brasil é o décimo (de um total de 17) com mais times na
lista, ficando atrás do México e da China (?!). Aí novamente a Alemanha chama
atenção, com 22 clubes entre os 100, ou seja, os 18 da primeira divisão, e mais
quatro da segundona.
Isso demonstra o quanto o Brasil está atrasado no trato do
futebol como negócio. Normalmente o torcedor é tratado da pior forma possível
nos estádios, e as condições para que estes acompanhem seus times de perto não
ajudam.
Um exemplo é a questão do horário dos jogos. Na Espanha, alguns
jogos acontecem às 23h, mas os torcedores tem transporte público para poder
retornar para casa, o que não acontece no Brasil.
Também nos ajuda a entender esta situação olhar para a média
de público do Brasileirão, que cai ano após ano. Até a 32ª rodada deste ano, a
média é de 12642 (ao
final do primeiro turno, a média era de 12031).
Nossa conclusão é a de que falta muita coisa para o Brasil
conseguir alcançar uma média, no mínimo, parecida com a dos principais
campeonatos do mundo. Mas é necessário que os clubes tratem melhor seus
torcedores, além de horários mais racionais para os jogos (afinal, esperar que
as prefeituras disponibilizem transporte além da meia-noite, pelo menos aqui em
São Paulo, é impossível).
Quem quiser ver a pesquisa da Pluri Consultoria com mais detalhes,
basta clicar aqui.

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